Histórias de uma portuga em movimento.
26
Abr 05
publicado por parislasvegas, às 08:52link do post | comentar
Olá outra vez, pessoal. Isto anda difícil. Maleitas várias em computadores igualmente variados, fizeram com que eu perdesse contacto com as maravilhas da cibernética durante as últimas semanas. Isso aliado à estúpida falta de tempo e chiliques vários (nada de sério) a nível de saúde, fizeram com que eu atingisse o meu ponto mínimo de sempre, desde que cheguei a este país. Psicologicamente, acho que nunca me senti tão mal aqui. A pressão é demasiada. Não consigo viver, trabalhar ou funcionar assim. Sinto-me no meio de uma tragédia grega onde a trama evolui rapidamente para o Climax - algo de muito grande e mau vai acontecer, só não sei o quê. Tenho andado com este pressentimento como se fosse um cancro místico - eles andem aí - eu só não sei onde, nem como. Nem o facto de já estar colocada noutro país consegue acalmar esta sensação de que, antes de isto acabar ainda vai haver merda. E da grossa.
Para já - e de entrada - ando cansada até aos olhos de ser tratada como merda. Porra, exigo respeito. E ando a voiciferar isso - em quase todas as línguas que sei - a toda a gente que me aparece à frente. O problema não é o chefe ou o trabalho o raio que os parta a todos. Com a mania que sou boazinha e compreensiva para os outros eu que acabo sempre entalada e os outros têm a tendência natural para achar - olha ! uma otária! bora lá abusar - e isso eu já não ando a achar piada há algum tempo. Só precisava de começar a reagir. Estou uma verdadeira bruta. Pouco simpática, e com muito pouca paciência. O que vale é que é só "capa", os amigos e família não sofrem com isso.
Depois - e não menos importante - QUERO OS MEUS DIREITOS CARAMBA!! Tou cansada de fazer de ursa e trabalhar que nem uma maluca. Quero as minhas férias, os meus feriados, os meus fins de semana. E acabou-se. A menos que Sua Excelência o PR precise de mim nessas ocasiões, eu NÃO DOU NEM MAIS UM DIA. Tá decidido.
Quero ser gaja, quero arranjar as unhas, quero ir fazer o cabelo, dizer que não trabalho hoje porque tenho o período, que tenho cinco filhos em casa, todos em idade de amamentar e depois fugir pró cinema. Tão a ver a cena? A sério, agora chega e mesmo. Estou-me cagando se me mudam de sítio rápido, ou muito devagarinho, seja onde fôr, em que parte do Universo, a Tina responde, sim senhor, que JÁ CHEGA!!!!!
Pronto, por isto é que eu digo que vai haver merda. Ela que venha. A ver se eu não a ponho (com muito jeitinho) na ventoinha- aí é que vai ser!!!!
Para começar esta nova fase, decidi tirar férias. A partir de dia 6 estou aí.

14
Abr 05
publicado por parislasvegas, às 07:51link do post | comentar
Esta posta é inspirada pelas coisas do Xano, que me está sempre com as histórias do "devíamos conhecer melhor este país, devíamos aproveitar para fazer turismo cá dentro" e etc. Eu, no pouco tempo que tenho livre, quero é distância daqui e ouvir falar russo o menos possível. O próximo destino será Amsterdão, tal e qual como a blimunda (já amanhã, infelizmente não nos encontramos - até porque no dia da Liberdade eu vou estar a bulir...). Mas as alternativas cá dentro eram:

1. Yalta - destino de beira-mar, com magotes de milionários russos, onde um quarto decente de hotel custa 250 euros/noite. A parte pior não é ter desembolsar o guito, a parte mesmo aterrorizante é ter que fazer a hora de avião no YAK40....
2.Kachanova - reserva natural nas margens do rio Smosh. Três horas de autocarro a partir daqui. Tem um palácio espectacular do séc.XIX - uma verdadeira viagem na máquina do tempo até à época dos Czares - ainda não percebi é que ofertas hoteleiras existem. Provavelmente tem que se ir à aldeia mais próxima oferecer uns dólares ao pessoal para conseguir dormir num celeiro.
3. Chernobyl - pois é, por incrível que pareça, tornou-se num site turístico...Há visitas guiadas a partir de Kiev (1 hora de autocarro). Claro que não se pode dormir lá. Acho que vou sair daqui sem nunca ter entrado na "zona de exclusão", já me basta ter vivido quatro anos a levar com os "vapores"...
4.Zakarpatyia - mais conhecidos pelos montes Cárpados em português. Uma zona de beleza natural alucinante. O Xano conhece porque fez a zona toda de carro quando veio prá Ucrânia - sim, porque aquele ganda maluco (com quem me casei, ainda por cima) resolveu que o melhor era meter-se no carro (sem saber sequer ler cirílico) e vir tranquilamente até Kiev pra ver as vistas. Há um parque natural, considerado a "última zona selvagem da Europa" com 400 Km de caminhos para "treking"
5. Lviv - antiga Capital, antiga cidade da Polónia e uma das cidades mais bonitas da Ucrânia e, penso eu, de todo o Leste Europeu - bem, tirando Praga e Tallin (mas Tallin não é "Leste" é "Báltico"). Não convém muito falar russo na rua, é meio caminho andado para ser maltratado. Ali só se fala ucraniano e a herança europeia é ostentada com muito orgulho. Não querem ser "baralhados" nem com os polacos, nem com os russos. Os nativos têm fama de ser hostis, mas mais simpáticos do que os kievitas (imaginem...)
6. Odessa - Esta cidade, devo dizer-lo é, simplesmente, espectacular. Século XIX - XX, cheia de edifícios "art noveux" , uns decadentes outros restaurados espectacularmente fiéis ao original. Toda a cidade é linda, tem mar, tem as escadas do filme "couraçado de Potekim", tem praias, o pessoal fala todas as línguas que se possam imaginar, tem ruínas gregas, tem museus interessantes. Só não gosto de tomar lá banhos de mar, porque é mesmo negro a sério. A primeira e única vez que pus um pézinho dentro de água, voltou cheio de algas pretas....Nunca mais. Mas dá para cheirar a maresia e isso, quando se vive numa cidade continental como Kiev, é o equivalente a um momento de sanidade mental!

09
Abr 05
publicado por parislasvegas, às 01:08link do post | comentar

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Esta é a zona da cidade em que trabalho. Parecendo que não (e a culpa é exclusivamente minha, que tanto me queixo..) Kiev é uma cidade linda. O centro é pequeno, quase uma vilazinha para os padrões de grandes cidades europeias e para as dimensões de outras "capitais de província" da URSS.
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Pontuada de igrejas ortodoxas, que aparecem na paisagem como explosões de côr e de reflexos dourados. Penso que o clima cinzento durante 95% do ano, deve ter motivado as pinturas garridas dos edifícios e as cúpulas douradas devem servir para reflectir nos mortais a pouca luz que Deus resolveu dar a esta parte do mundo.

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Começa a altura de dar passeios à beira-rio. É o que me salvou estes anos aqui, é o bom do Dniepre (ou Dnipro). Nada que se pareça com o Mar, ou com o Tejo que em Lisboa se tem constantemente em frente aos olhos. Infelizmente, nunca tive coragem de fazer como os nativos e banhar-me nas suas águas (assim como, conscientemente, nunca me teria metido nas águas do Tejo, se não fosse "obrigada" nas aulas de educação física da Alfredo da Silva...). Apesar dos pesares, Chernobyl sempre fica a menos de 100 KM (em linha recta) e eu ainda gostava de ter filhos...
A figura que olha pela cidade com a cruz em punho, é S. Volodymyr, o príncipe que obrigou esta gente a ser cristã e os baptizou a todos no rio (alguns à força, claro). Conta-se que o Rei Volodymyr, antes de ser promovido a Santo, percebeu que não conseguiria criar uma linhagem real, se não adoptasse uma das religiões monoteístas. As suas filhas, conhecidas por pagãs, nunca se casariam com um príncipe de jeito. Por isso, começou a estudar todas as religiões existentes e mandou vir sábios de todos os cantos do mundo. A religião que mais lhe tocou foi o Islão (nomeadamente aquela parte de poder ter 7 mulheres), mas conta-se também, que quando descobriu que o álcool era proibido, declarou que nenhum eslavo conseguiria sobreviver sem destilados. De maneira que lhe restava apenas escolher entre a ordotoxia e o catolicismo e mandou trazer arte sacra de ambas. Os ícones bizantinos e as pinturas garridas ordotoxas impressionaram-no muito mais do que as igrejas católicas primitivas que eram circulares com um altar ao meio, sem qualquer decoração. E assim converteu o pessoal todo à ordotoxia de Bizâncio. Isto foi no séc.XII, vejam bem o que as más línguas duram....

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Esta é outra figura que domina a paisagem da cidade. A estátua, conhecida como "Mat Rodina", ou "mãe pátria" em português, tem uma altura descomunal. Passo por ela todos os dias, a caminho de casa. Não deixa que ninguém se esqueça dos laços da Ucrânia à eslavidade, e do que representou ser dominado pelos russos durante mais de 500 anos. Os ucranianos encararam a coisa com muito desportivismo. Não a destruíram com a independência (nem sei se aquilo é destrutível, uma vez que é feita de um metal qualquer duro à brava), mas adaptaram-na como cúpula do Museu Militar e dizem que representa a nova Ucrânia independente.



Com o início do degelo, a cidade fica um espectáculo de árvores que começam a florir, parques que renascem da letargia invernal e etc..

Mas onde se nota mais a mudança da Primavera é nas pessoas. Toda a minha gente larga o "carão de inverno" começam a sorrir (!), saem à rua, passeiam, namoram, bebem cerveja nas avenidas. As meninas começam o strip do bom tempo, largando os pessados casacos de pele e adoptando aqueles cintos especiais a que chamam mini-saia. As botifarras da neve são abandonadas pelos sapatinhos de salto alto (e que saltos!), os decotes despontam.

Só não entendo estes homens. Nem olham. Estão tão mal habituados (dizem, e eu acredito, que estas são as mulheres mais bonitas da Europa) que pode passar a top model mais boazona do mundo à frente dos tipos (e descascada)que os gajos nem mexem um músculo. Deve ser do excesso de escolha. Dá Deus nozes...


08
Abr 05
publicado por parislasvegas, às 07:53link do post | comentar
Quem tem dois cães em casa, sabe que, de quando em vez assiste a umas lutazinhas jeitosas. Isso acontece até a quem tem lulus, quanto mais a quem, como nós, se meteu na aventura de juntar uma bulldog e uma shar pei, duas bestinhas conhecidas pelo seu talento para lutas várias, sejam elas de cães ou com qualquer outro animal (incluíndo humanos...).
A verdade é que, durante a maior parte do tempo, as gajas são um doce. Para nós e entre elas. Dormem juntas, limpam-se mutuamente e andam sempre coladas como se fossem irmãs siamesas.
No entanto, a diferença de personalidades caninas é alucinante: a bulldog transformou-se num monte de pêlo adulto. Enquanto era mais cachorra era a que levava mais na cabeça: xixis e cócós desordenados, roía tudo, era demasiado activa e só fazia merda. Parecia um perdigueiro com problemas genéticos. Agora evoluiu para aquilo que toda a gente espera de um bulldog - um cão gordo, que dorme o dia todo, adora festas, adora brincar e não sabe nadar (é verdade - os buldogs são os únicos cães que não conseguem nadar por impossibilidade física - as patas são demasiado curtas para sustentar o peso do corpão). O handicap de não saber nadar (ela adora água) é compensado com umas valentes mangueiradas no jardim, durante o verão.
Agora anda uma cadela porreira, só tem um defeito : é obcecada por comida. Aqui é que entra a história da luta. Muito embora a Shar Pei não se interesse puto por comida, o cão ofende-se sinceramente quando a outra lhe vai ao prato. De modo que, de quando em vez, lá tenho eu que aplicar o estojo de primeiros-socorros para fins veterinários. Actualmente, tenho a magra com uma cicatriz enorme no nariz, e a gorda com as pernas todas feridas que parece um Cristo....
A magra, é um cão extremamente activo, odeia água mas adora rebolar-se na areia e na terra. O que é um bocadinho chato, porque depois tenho que lhe dar banho, e estão a ver a fita....É um cão mais do que carinhoso, até chateia. Não há segundo que não tenha que andar de nariz colado às minhas calças e, desenvolveu o hábito estúpido de me "chamar" puxando-me a roupa com os dentes. O que, além de ser irritante, já me estragou dois pares de calças. Anda constantemente a guardar a casa e o jardim e a fazer-se de "cão mau" a ladrar de voz grossa às sombras e fantasmas que passam para lá do portão. Mas dentro de casa, basta eu aumentar o décibel para se mijar pelas patas abaixo....
A partir da hora em que chegamos a casa, nos dias de trabalho, a gorda acorda e vem chatear o pessoal todo para brincar (incluíndo a magra) e a magra sente que pode finalmente descansar e deita-se a dormir tranquilamente. Isso também provoca refegas de vez em quando. Tá uma descansada e a outra a chagar - pôe-se de rabo pró ar, com as patas da frente esticadas, e vai de ladrar, abana-se toda (não tem cauda...) e dar dentadinhas de amor nas patas da magra pra ver se a acorda. Geralmente, quando a acorda, leva uma carga de dentadas e rosnadelas...A seguir, a gorda vai amuar a um canto. Esta cena repete-se quase todos os dias. Assim se vê a teimosia de um bulldog. Leva, mas chaga na mesma.
Escrevo hoje sobre as minhas bestinhas porque tenho que começar a prepará-las para a mudança. Provavelmente, com as novas leis da UE sobre quarentena de bicharocos, as desgraçadas vão ter que estar separadas num canil durante uns tempos antes de se poderem juntar a nós em casa. Sei que para estas duas que se amam/odeiam vai ser muito difícil. Mas sempre é um canil em Paris, e sempre é por uma boa causa....

07
Abr 05
publicado por parislasvegas, às 04:59link do post | comentar
Desculpem lá o encalhanço do blogue nos últimos tempos. Isto anda muito movimentado e ando sem tempo para escrever aqui. O título desta posta vem a propósito das experiências desta semana,mas também de umas ideias que tenho, agora que estou a sair daqui, de escrever sobre os primeiros impactos da Ucrânia no meu cérebro, agora, que talvez o possa fazer já com o devido distânciamento.
Esta semana está a ser-me especialmente dolorosa,por causa de uma situação humana que não consigo resolver. Já me mentalizei há muito tempo que não sou Deus e que não posso endireitar o que está torto irremediavelmente, mas penso sempre no lado mais humanista dos casos e tento sempre resolver questões que me parecem difícieis,mesmo quando não tenho nada a ver com o assunto.
Nestes 4 dias, apareceram dois casos altamente incomodativos para quem, como eu tem bom senso e sensibilidade a dramas humanos. Um foi o de um senhor que me apareceu com a cara toda queimada, absolutamente irreconhecível o outro um bebé de 1 ano com um tumor em estado terminal. O caso do senhor acho que consigo resolver rapidamente, o da criança não sei se ainda vou a tempo....
De qualquer das formas, nestes anos aqui, tenho visto mais do que o que queria. Gente a aparecer-me com próteses (e a tirá-las à minha frente para provarem que estão doentes...), deformações de queimaduras, membros em falta, viúvas desamparadas, órfãos com leucemia etc...Até agora ainda não "perdi" nenhuma batalha destas. Espero que este bebé não seja a primeira...

01
Abr 05
publicado por parislasvegas, às 13:01link do post | comentar
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Paris para o Xano e Versailles para a Tina. Estamos contentes, sim senhor! Quer dizer, eu estou um bocadinho em transe, mas pronto-vou tentar não exagerar no Champagne!!!!

AGORA ARRANJEM LÁ DESCULPA PARA NÃO IR A PARIS!!!!

publicado por parislasvegas, às 00:18link do post | comentar
É hoje, é hoje, é hoje, ai ai ai ai!!!!!!


Ps - esta posta não tem nada a ver com sexo....

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