Histórias de uma portuga em movimento.
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Ago 07
publicado por parislasvegas, às 18:02link do post

Este é o último post que escrevo, sentada nesta cadeira vermelha com vista para o molho de flores cor-de-rosa do meu jardim. É o último post a sair de Chavenay , aldeiazinha onde vivi os últimos dois anos, tão preenchidos que parece que passaram em apenas dias.

 

O primeiro ano vivi-o bastante mal.

Trabalhei demasiado, não gozei a casa, não dei atenção ao meu marido, chegando a casa diariamente irritada com o trabalho, com o trânsito de Paris, com a má educação dos parisienses, exasperada com a burocracia louca de um país que tem a mania que é mais desenvolvido que o nosso (e em muitas coisas é só mesmo mania). 

 

O segundo ano vivi-o melhor, quer dizer, tudo está bem quando acaba bem e com a chegada do Kiko  esquecemos as dificuldades físicas e emocionais que vivemos este ano...

 

Ao contrário do que me aconteceu há dois anos, quando achei que a mudança já veio tarde, que já estava farta até aos cabelos de viver num sítio depressivo, gelado e cheio de conflitos, desta vez está a custar-me arrancar.

 

Porque Paris é a cidade mais bonita do mundo (pena que esteja cheia de parisienses...), porque apesar dos pesares fui muito feliz aqui, nesta casa no campo onde passei uma gravidez em estado de graça e comecei a criar o meu primeiro filho.

 

Porque apesar das manias, França é um país muito civilizado, onde as pessoas (algumas, acho que mais do que os portugueses ) têm a noção do que são as obrigações de um cidadão.

 

Porque, apesar da poluição, esta casa no campo parece ficar a milhares de quilómetros da cidade, rodeaada de  campos de trigo, cavalos e, claro, como não podia deixar de ser, milhões de corvos.

 

Porque, apesar de me estar cagando para a vizinhança " Wisteria Lane ", esta casa foi a casa mais bonita que eu tive e onde me senti mais confortável.

 

Porque adorei o champagne , os restaurantes parisienses, as lojinhas de outlet de alta costura, as chapelarias, as brasseries , o foi gras , as ostras em cama de gelo, os teatrinhos minúsculos,  o YSL com o seu cão velho e as esplanadas fechadas para a Madona comer um hamburguer . 

 

Porque adorei os amigos que aqui fiz (um deles francês - UIPI !) de todas as cores e nações a pintarem uma França diferente num  melting pot " muito mais inteligente que o brainless " americano.

 

Há dois anos disse  adeus e até nunca, hoje digo adeus e até sempre porque, afinal, je   suis une parisienne!

 

 


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