Histórias de uma portuga em movimento.
06
Nov 07
publicado por parislasvegas, às 13:03link do post

Este fim de semana fizemos uma pequena viagem de reconhecimento ao outro lado. Afinal de contas, vivemos na última cidade dividida da Europa que, por muito que não queiramos fazer a analogia, tem cada vez mais em comum com este louco Mundo em que vivemos.

 

Para um turista, encontrar o check-point é como descobrir a passagem para a quinta dimensão: caso não se conheça exactamente o sítio onde está a fronteira, não existem indicações, nem nenhum sinal que nos mostre que podemos estar perto. De ambos os lados da cidade, o bairro cortado pela linha verde está semi-abandonado , com marcas de balas nas paredes e arame farpado nas ruelas, onde, ao mesmo tempo, algumas lojas de pequenos comerciantes continuam a sua actividade.

 

Passado o primeiro check-point , entramos na zona-tampão , onde um espectacular ex-hotel de 5 estrelas serve de aquartelamento aos capacetes azuis. Admito que dá pena ver lençóis nas janelas, à laia de cortinas, e as varandas semeadas com mobília de praia foleira, mas a verdade é que os locais eram capazes de levar a mal se em vez disso se vissem mordomos de luva branca a servir gin tónico ao fim da tarde.

 

O segundo check-point foi relativamente rápido de se passar. Há que acautelar os passaportes, para que os oficiais do outro lado não os carimbem. Um carimbo de entrada naquela zona impossibilita o regresso ao lado de cá, sem apelo nem agravo.

 

A outra metade da cidade é outro mundo: os edifícios modernos e espelhados dão lugar a uma arquitectura baseada no betão, parecida com os nossos edifícios dos anos 50. A catedral de Sta Sofia, marco da ortodoxia da região, exibe agora dois enormes minaretes, cumprindo a função de mesquita central há 33 anos.

 

 A maior parte dos transeuntes são homens, que constituem também a esmagadora maioria dos condutores. Também aqui se conduz pela direita, muito embora maior parte dos veículos tenham volante à esquerda. 

 

Minarete da Mesquita do Porto

 

Passámos as montanhas com destino a um pequeno porto medieval, com contornos italianos, talvez herança da presença veneziana na Ilha.

 

Ao contrário da Capital, aqui as raparigas passeavam de cabeça descoberta de mãos-dadas aos namorados e algumas das mulheres casadas também andavam sem véu.

 

No passeio à beira-mar, algumas famílias caminhavam na digestão do almoço, enquanto os homens pescavam à linha com os filhos, num quadro em nada diferente de um passeio domingueiro a Alcochete.

 

Ruínas do Castelo

 

Terminámos o dia com um jantar à beira-mar, de costas para o Castelo medieval a ouvir o Almuadem chamar os fiéis para a oração do pôr-do-Sol.

Mezze

 

E a isto se chama um Domingo perfeito.

 

 


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