Histórias de uma portuga em movimento.
27
Nov 08
publicado por parislasvegas, às 14:13link do post

 Sandra,

 

 

Mil desculpas pelo atraso na respostas às tuas perguntas. A vida tem sido um pouco mais complicada do que o costume em terras de Afrodite.

 

Se recebeste uma oferta de trabalho para Kiev, calculo que seja a fazer algo parecido com o que fiz lá e, nesse caso, a primeira dificuldade é o trabalho em si. Mas isso é outra história...

 

Quanto a dados práticos posso dizer-te que o valor das rendas é francamente exagerado e não está a dar mostras de descer por enquanto. Há três anos atrás eu pagava 1800 dólares americanos por um apartamento de duas assoalhadas, cerca de 70 metros quadrados, mobilado ao gosto soviético dos anos 80 e com um chuveiro caprichoso.

 

Está claro que o apartamento ficava mesmo no centro da cidade, num dos bairros "finos" com restaurantes e lojas caras, mas os meus vizinhos eram o sindicato dos reformados da Ucrânia e uma senhora da noite que povoava o prédio de clientes turcos. Foi giro.

 

Se falas russo não deves ter dificuldade em fazer-te entender nas coisas simples da vida, como apanhar um táxi e ir ao supermercado. Caso não fales, começa seriamente a pensar em aprender, pelo  menos a ler cirílico para te orientares na rua, porque todos os nomes das ruas e das praças estão em ucraniano (como é natural).

 

Maior parte dos restaurantes já tem menu em inglês e o pessoal que atende também percebe qualquer coisa o que quer dizer que mesmo sem falar russo qualquer estrangeiro pode comer e beber sem problemas.

 

A vida de um expatriado (seja onde for) tem particularidades engraçadas: nos primeiros seis meses nunca sabes muito bem onde estás.

 

Tem paciência para dar tempo até começares a conhecer a cidade e a comunicar com os locais, não te ponhas logo de início com más vontades ou ódios pequeninos (ao facto de não existir manteiga com sal, por exemplo) porque essa atitude vai estragar-te toda a experiência maravilhosa que é conhecer novos sítios e novas culturas.

 

Os Invernos na Ucrânia são tramados: ainda ontem comentava com uns amigos acabados de chegar de Kiev ( e que também se expatriaram, mas para a Ilha onde vivo agora) que enquanto nós gozamos os 25º de máxima, o pessoal em Kiev já sofre com os -6º e uma altura considerável de neve.

 

Compra um casaco quentinho (de preferência compra lá - em Portugal é difícil encontrar algo que resista a 20 graus negativos) e, pelo amor de Deus, compra umas botas especiais para andar na neve. Se há coisa que nenhum portuga sabe fazer é andar no gelo e o historial de ossos partidos é o pão-nosso de cada dia...

 

Eu sobrevivi a cinco Invernos ucranianos, por isso a coisa não pode ser assim tão má. Para mim foi a parte pior, mas eu sempre detestei frio e neve e sou incapaz de conduzir no gelo (e nunca tive nenhum acidente!).

 

Quanto à comida, os legumes e frutas que se dão localmente não são caros, mas os importados são um exagero. Podes adaptar a tua maneira de comer ao que aparece localmente a preços mais módicos. Eu não fiz isso porque na altura existia uma paranóia terrível com Chernobyl e nenhum estrangeiro comia legumes ou fruta fresca colhida localmente. Sinceramente, não sei se a paranóia se justifica ou não, mas porquê arriscar???

 

A água da torneira não é segura, nem sequer para lavar os dentes ou para cozinhar. Quando tomares duche tem atenção e fecha a boca porque a água vem cheia de metais pesados que são prejudiciais à saúde. 

 

O abastecimento de água quente é cortado durante uma semana por ano (no Verão) para purga e limpeza dos canos. De qualquer forma, maior parte das casas tem caldeiras autónomas para não depender do abastecimento municipal. Caso consigas, tenta arranjar um apartamento que tenha alternativas de aquecimento. Digo isto porque os aquecimentos são controlados pelo município e são ligados todos ao mesmo tempo no dia 15 de Outubro e, em cinco Invernos, só houve um deles em que não começou a fazer frio antes dessa data. Se não tiveres alternativa (uma lareira, por exemplo), tens que passar um frio do caraças até ao começo "oficial" da época do aquecimento.

 

Espero que estas dicas te tenham sido úteis. Devo dizer-te também, que fiquei completamente apaixonada pelo país e pelas pessoas, que todos os dias tenho saudades da Ucrânia e que valorizo todos os momentos dos quatros anos que lá passei: tanto os maus, como os bons. Para mim, foi uma grande lição de vida.

 

 


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