Histórias de uma portuga em movimento.
07
Mai 09
publicado por parislasvegas, às 13:20link do post

Esperei quase dois anos para fazer este post. Isto porque sei que grávida utilizadora da internet é um bicho perigoso e demasiada informação quando uma pessoa está de barriga pode ser contraproducente. Por isso, se a minha amiga estiver grávida, passe para outro blogue JÁ!

 

Há realidades de que não se fala. Os partos, os pós-partos e nojices afins são mencionados em artigos científicos ou murmurados à boca pequena entre mulheres, o que eu acho muito bem. De toda a informação que li quando estava grávida nada me poderia preparar para o horror dos primeiros quinze dias de recuperação de uma cesariana. Mas eu acho que o essencial ninguém me disse: que era preciso paciência e estoicismo. Resistência à dor física e acima de tudo NUNCA OLHAR PARA A BARRIGA.

 

Falo disso agora, porque a semana passada apanhei o primeiro susto de gravidez possível nos últimos dois anos. E entrei em pânico.

Analisando friamente o porquê do pânico percebi que não tenho medo da responsabilidade de um novo filho, ou preocupação com uma (nova) mudança de vida, mas sim  terror completo de passar por outra cesariana e consequente recuperação. Estúpido, mas é verdade.

 

Porque nunca ninguém me avisou que a recuperação da operação em França era feita quase a frio, e que eu teria de escolher entre amamentar e os analgésicos (escolhi a primeira, claro). Se tivesse sido avisada talvez tivesse feito outra opção. Ou talvez não.

 

Resumindo, passadas 8 horas da cirurgia já estava em pé e a tomar menos paracetamol do que tomo normalmente para uma dor de cabeça. O que me lembro dessas duas semanas é de uma dor física constante e de ter um desejo só: morfina.

 

Não tive inseguranças de mãe de primeira viagem, não tive dificuldades em amamentar, não tive problemas em tratar do bebé ou em relacionar-me com ele, não tive problemas em acordar a cada três horas, nada, nada. Só aquela filha-da-puta da dor lancinante de ter as entranhas a tentarem reconstruir-se.

 

Os primeiros três meses não foram fáceis, e depois passou. Passou tudo, menos a memória.

Claro que vale a pena, mas não estou desejosa de revisitar esses momentos.

 

E já agora, repito NUNCA OLHAR PARA A BARRIGA. Se eu soubesse essa tinha-me poupado um desgosto (pelo menos durante seis meses).

E sim, é verdade, volta tudo ao que era, mesmo quem, como eu, demora dois anos a normalizar, normaliza sim.

O inchaço, a deformação, os quilos a mais, tudo isso passa. E o grande amor que são os filhos esse, fica para a vida.

 


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