Histórias de uma portuga em movimento.
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Mai 09
publicado por parislasvegas, às 16:09link do post

Sabem aquelas coisas que os portugueses dizem de Portugal? Que não há direito, que isto só neste país, que nem parece Europa, que terceiro-mundo, que desorganizado, que retrógrado e tal? Bom, há muito tempo que insisto em dizer que tudo isso está correcto, mas também acaba por envenenar a maneira portuguesa de estar na vida e no mundo. Numa frase - todos se queixam e ninguém mexe uma palha para melhorar a situação- isto tem-me intrigado a vida toda porque não compreendo como é possível que um povo inteiro identifique os seus erros, mas nunca os corrija.

 

Nos últimos anos tenho desenvolvido a teoria da pobre comparação - os portugueses não são pessoas muito viajadas e têm tendência a pensar que tudo o que é estrangeiro é melhor do que o produto nacional. Claro que isto só justifica a parte das críticas, mas não justifica a parte da inércia. Aliás, a grande característica do povo português é justamente essa - a inércia. Pelos vistos, dar novos mundos ao mundo esgotou-nos para todo o sempre.

 

Só para animar o espírito derrotista do portuga médio gosto de postar aqui situações que "só em Portugal", com a diferença que, não se passam no nosso país, mas sim nesse mítico éden de perfeição que se chama "o estrangeiro".

 

A título de exemplo, descrevo a minha ida de hoje ao hospital com o Kiko, para a última consulta do pós-operatório com o cirurgião pediátrico que o operou a semana passada (a nada de grave).

Chego ao bairro do hospital e deparo-me com o caos total. Centenas de carros estacionados por todo o lado, uns na diagonal, outros quase no meio da estrada, etc. Devia ser o dia das consultas externas.

Entro no parque subterrâneo e deparo com dois artistas estacionados de viés, ocupando dois lugares em vez de um. Faço os três andares do parque e nem um lugarzinho para amostra. Volto para cima e não consigo sair com a bisarma do Mercedes porque um dos pacientes perdeu a paciência e largou o Jeep no meio do parque a bloquear entrada e saída. Lá saí do parque, deixando para recordação um risco cinzento e profundo na carroçaria branca do Jeep (em Roma, sê romano).

Estacionei a vários quarteirões do Hospital, saquei do carrinho do puto e fui a pé. Chegando à estrada esperei 10 minutos para conseguir atravessar porque não existem passadeiras ao pé do hospital. Aliás, nem ao pé nem longe. Talvez não existam passadeiras porque também não existem passeios. Os caminhos são de terra batida. E isto no centro da cidade.  Depois foi tentar entrar com o carrinho no hospital. Nem imagino a ginástica de quem precisa de entrar com uma cadeira de rodas. As portas não são nem automáticas, nem se fixam abertas, isto num hospital construído há dois anos.  Bom, lá entrei utilizando a técnica do cú: empurra-se a porta com o traseiro, fixa-se a porta com o traseiro e empurra-se o carrinho para dentro do edifício. Quem tem cú, tem tudo.

Parte positiva: esperei só um quarto de hora pela consulta e não a paguei. Como aliás, não paguei as últimas quatro, porque o médico considera que o serviço de acompanhamento da criança depois da operação está incluído no preço da operação propriamente dita, e isso, tal como os passeios de terra batida, o caos no trânsito e a falta de passadeiras, só neste país.

 

Fomos depois dar uma voltinha pelo centro. Estacionei num dos parques municipais (a pagantes), que é suposto ter vigilância permanente. Quando quis voltar para casa, mais uma vez não conseguia sair porque houve uma anta que estacionou o Subaru no meio da faixa de rodagem, apesar das centenas de lugares livres. Depois de muita manobra lá consegui passar, desta vez sem bater.

 

Tanto no hospital como no outro parque fui queixar-me aos seguranças da maneira como os outros idiotas tinham estacionado. Em qualquer outro país se chamaria a polícia e o reboque. Aqui encolhem os ombros e deixam ficar.

 

Dois anos a viver nesta ilha e raramente vejo polícia de trânsito, só estão presentes nas bermas das auto-estradas para medir a velocidade (máximo 100 Km/h, deve ser com medo que o pessoal acelere e caia ao Mar...). Claro que isto é um país tão avançado quanto o nosso e claro que compraram câmaras com radares para detectar a velocidade e fotografar os infractores, mas essas câmaras não funcionam desde que foram instaladas porque o Governo as comprou defeituosas e a empresa que as vendeu esfumou-se no ar.

 

Faz-vos lembrar qualquer coisa???

 

 


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