Histórias de uma portuga em movimento.
16
Set 10
publicado por parislasvegas, às 22:28link do post

Passaram dois meses e agora que, finalmente, tenho net em casa, já não há desculpas para o silêncio deste blogue. No entanto, ando demasiado ocupada e demasiado baralhada para começar a pôr as minhas impressões por escrito. Regressar a "casa" passado quase dez anos é, no mínimo, estranho.

Imaginem-se na pele de um estrangeiro que conhece alguma coisa do país e fala a língua sem sotaque.

Faço figuras tristes constantemente, desde de o "thank you" que me sai constantemente da boca ao "qué isso?" e "onde fica?" para as coisas mais simples. É frustrante porque, no fundo, sinto não pertenço aqui.

É a primeira vez na vida que vivo em Lisboa. Quase aos 40 anos. Foi bom ter escolhido a zona de Alcântara e Prazeres para viver. Estudei aqui perto e trabalhei 7 anos seguidos nesta zona. Não está tudo igual ao que era há uma década, mas pelo menos consigo navegar e fazer a minha vida sem soluços.

A burocracia da instalação foi muito menos complicada do que eu esperava. A entrada no trabalho muito menos dolorosa do que eu imaginava (é como andar de bicicleta..) e a vida é muito mais facilitada no dia a dia do que em qualquer um dos países por onde passei estes anos. Se este país tivesse boas condições económicas seria o verdeiro paraíso na terra.

Lá estou eu outra vez com estas coisas e sei que sou chata em dizer bem de Portugal quando o nacional-queixume é a regra. Só a vantagem de poder pagar as minhas contas no sossego da caixa multibanco em vez de passar horas em filas vale tudo.

Apesar de ter passado algum tempo numa das cidades mais bonitas do mundo, Lisboa ganha 10 a 0 em relação a Paris nestas coisas. Há menos confusão e a burocracia, apesar de latina é menos complicada. A única coisa que ainda não fiz, por manifesta falta de coragem, foi tirar o cartão do cidadão. Aí é que vai ser o grande embate com as chatices e as filas, mas pronto, tem que ser. Os franceses esperam de três a seis meses para terem um passaporte, também não se podem gabar nesta área. Em resumo posso dizer que estou satisfeita de não estar em França neste momento, é que eu sou um bocadinho escurinha e nunca se sabe se não daria por mim em Sófia a esta hora...

Tenho que pensar outro nome para este blogue. Deixada a "dusty rock" já não faz sentido o título. Mas ainda não sei bem o que me vai saír, sobre o quê me vai apetecer escrever.

Outro segredo para viver mais tranquila em Portugal é eliminar de vez as notícias televisadas. Não vejo nada e só leio jornais. Acho que é menos agressivo o estilo e não levo com as asneiras dos senhores que botam faladura em carne e osso. Parece-me que lê-las em vez de assistir ao vivo me ameniza o choque, porque se há coisa com que me custa lidar é a estupidez humana. Nesse aspecto tenho tentado controlar-me bastante a nível de contacto social. É com cada cromo nesta Lisboa que se eu fosse ligar às conversas que oiço todos os dias não parava de insultar gente (que tenho as minhas dúvidas que entendessem os insultos).

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