Esta é a zona da cidade em que trabalho. Parecendo que não (e a culpa é exclusivamente minha, que tanto me queixo..) Kiev é uma cidade linda. O centro é pequeno, quase uma vilazinha para os padrões de grandes cidades europeias e para as dimensões de outras "capitais de província" da URSS.
Pontuada de igrejas ortodoxas, que aparecem na paisagem como explosões de côr e de reflexos dourados. Penso que o clima cinzento durante 95% do ano, deve ter motivado as pinturas garridas dos edifícios e as cúpulas douradas devem servir para reflectir nos mortais a pouca luz que Deus resolveu dar a esta parte do mundo.A figura que olha pela cidade com a cruz em punho, é S. Volodymyr, o príncipe que obrigou esta gente a ser cristã e os baptizou a todos no rio (alguns à força, claro). Conta-se que o Rei Volodymyr, antes de ser promovido a Santo, percebeu que não conseguiria criar uma linhagem real, se não adoptasse uma das religiões monoteístas. As suas filhas, conhecidas por pagãs, nunca se casariam com um príncipe de jeito. Por isso, começou a estudar todas as religiões existentes e mandou vir sábios de todos os cantos do mundo. A religião que mais lhe tocou foi o Islão (nomeadamente aquela parte de poder ter 7 mulheres), mas conta-se também, que quando descobriu que o álcool era proibido, declarou que nenhum eslavo conseguiria sobreviver sem destilados. De maneira que lhe restava apenas escolher entre a ordotoxia e o catolicismo e mandou trazer arte sacra de ambas. Os ícones bizantinos e as pinturas garridas ordotoxas impressionaram-no muito mais do que as igrejas católicas primitivas que eram circulares com um altar ao meio, sem qualquer decoração. E assim converteu o pessoal todo à ordotoxia de Bizâncio. Isto foi no séc.XII, vejam bem o que as más línguas duram....
Com o início do degelo, a cidade fica um espectáculo de árvores que começam a florir, parques que renascem da letargia invernal e etc..
Mas onde se nota mais a mudança da Primavera é nas pessoas. Toda a minha gente larga o "carão de inverno" começam a sorrir (!), saem à rua, passeiam, namoram, bebem cerveja nas avenidas. As meninas começam o strip do bom tempo, largando os pessados casacos de pele e adoptando aqueles cintos especiais a que chamam mini-saia. As botifarras da neve são abandonadas pelos sapatinhos de salto alto (e que saltos!), os decotes despontam.
Só não entendo estes homens. Nem olham. Estão tão mal habituados (dizem, e eu acredito, que estas são as mulheres mais bonitas da Europa) que pode passar a top model mais boazona do mundo à frente dos tipos (e descascada)que os gajos nem mexem um músculo. Deve ser do excesso de escolha. Dá Deus nozes...



